Information Warfare — domínio estratégico-doutrinário da competição pelo controle, exploração, negação e proteção do ambiente informacional, que se desenrola de forma contínua em tempos de paz, crise e conflito armado, abarcando dimensões técnica, semântica e cognitiva.

Definição

IW (Information Warfare) — em português, Guerra Informacional ou Guerra da Informação — designa o domínio estratégico no qual atores estatais e não estatais competem pelo controle do ambiente informacional como recurso de poder. Diferentemente de IO, que é categoria operacional vinculada a campanhas militares específicas, IW é conceito estratégico-doutrinário que abrange toda a competição informacional, incluindo períodos formalmente de paz.

A literatura analítica identifica três camadas convergentes do domínio:

  1. Dimensão técnica (infraestrutural): ataques e defesa de redes, electronic warfare, cyberwarfare, integridade de sistemas de comando e controle (C2);
  2. Dimensão semântica (conteúdo): produção, distribuição e contestação de narrativas, controle de fluxos noticiosos, propaganda, desinformação;
  3. Dimensão cognitiva (alvo humano): manipulação de percepções, vieses, processos decisórios e estados emocionais de indivíduos e populações.

As três escolas doutrinárias contemporâneas oferecem recortes distintos:

  • Norte-americana: tendência a separar IO (operacional, militar) de strategic communication (estratégica, interagencial), com IW como conceito guarda-chuva ainda em consolidação. Referências centrais: JP 3-13, Arquilla e Ronfeldt.

  • Russa: tradição soviética/czarista revisitada, formalizada como “guerra informacional” (информационная война) com duas vertentes — informacionno-tekhnicheskaya (técnica) e informacionno-psikhologicheskaya (psicológica). Inseparável de “medidas ativas”, kompromat e maskirovka. Referências: Doutrina de Segurança da Informação (2000, rev. 2016), escritos de Messner, Gerasimov (2013).

  • Chinesa: integrada às Três Guerras (公共舆论战, 心理战, 法律战 — opinião pública, psicológica, legal) e ao conceito de “guerra irrestrita” (超限战, Qiao e Wang, 1999). Vinculada à doutrina de “supremacia da informação” (制信息权) do EPL.

A IW contemporânea é qualitativamente distinta de suas formas anteriores por três fatores: (i) escala habilitada pelas plataformas digitais; (ii) velocidade quase em tempo real do ciclo OODA informacional; (iii) persistência — opera continuamente, sem fronteira clara entre paz e guerra (zona cinzenta).

Uso e Contexto

O termo é central no léxico da OTAN, do Strategic Communications Centre of Excellence (StratCom CoE, Riga), do Hybrid CoE (Helsinque) e da Escola Superior de Guerra brasileira. No Brasil, é objeto de programas de pesquisa do NEGISC/IREL/UnB, do Núcleo de Estudos Estratégicos da UNICAMP e do INCT-INEU.

Ver Também

Referências

LIBICKI, Martin C. What is Information Warfare? Washington, D.C.: National Defense University Press, 1995.

THOMAS, Timothy L. Russia’s reflexive control theory and the military. Journal of Slavic Military Studies, v. 17, n. 2, p. 237–256, 2004.

SINGER, P. W.; BROOKING, Emerson T. LikeWar: The Weaponization of Social Media. New York: Houghton Mifflin Harcourt, 2018.


Verbete do Glossário NEGISC — Núcleo de Estudos em Guerra Informacional e Segurança Cognitiva / GEPSI / IREL / UnB. Licença CC BY-SA 4.0.