Categoria doutrinária norte-americana — Information Operations — que designa o emprego integrado, durante operações militares, de capacidades relacionadas à informação para influenciar, perturbar, corromper ou usurpar a tomada de decisão adversária, enquanto se protege a própria.

Definição

IO (Information Operations) é o termo doutrinário formalizado pela publicação conjunta norte-americana Joint Publication 3-13 — Information Operations (versão original 1998, revisões em 2006, 2012 e 2014) para designar o emprego integrado de capacidades relacionadas à informação (Information-Related Capabilities, IRCs) em apoio a objetivos operacionais ou estratégicos militares.

A definição oficial vigente da JP 3-13 (2014) caracteriza IO como:

“The integrated employment, during military operations, of information-related capabilities in concert with other lines of operation to influence, disrupt, corrupt, or usurp the decision-making of adversaries and potential adversaries while protecting our own.”

As capacidades tipicamente integradas sob a IO incluem:

  • PSYOP / MISO (Military Information Support Operations) — operações psicológicas;
  • MILDEC — Military Deception (engano militar);
  • OPSEC — Operations Security;
  • EW — Electronic Warfare;
  • CNO / Cyberspace Operations — operações no ciberespaço;
  • PA — Public Affairs (em coordenação, não subordinação);
  • CMO — Civil-Military Operations.

Distinção doutrinária crítica IO × IW: nem todos os usos militares de informação são guerra. O léxico norte-americano distingue IO (Information Operations) — a categoria operacional, vinculada a campanhas e teatros — de IW (Information Warfare) — o conceito mais amplo, estratégico-doutrinário, que abrange a competição informacional contínua, incluindo tempos de paz e o nível do grand strategy. IO é, nesse sentido, a manifestação operacional da IW. Em doutrinas russas e chinesas, a distinção não opera nos mesmos termos: ambas tendem a tratar o domínio informacional como contínuo de paz-conflito-guerra.

A IO doutrinária moderna é distinta da propaganda clássica em pelo menos dois aspectos: (i) é integrada às demais linhas de operação militar (cinéticas, logísticas, ciberespaciais), não operada como atividade paralela; (ii) tem como alvo primário a tomada de decisão adversária, não apenas opinião pública.

Uso e Contexto

A literatura é dominada pela tradição doutrinária norte-americana (JP 3-13, FM 3-13, Joint Doctrine Note 1-18 Strategy) e pela tradução parcial dessa doutrina nos países OTAN via AJP-3.10 (Allied Joint Doctrine for Information Operations). No Brasil, o Manual de Doutrina Militar Terrestre (EB20-MC-10.201) e documentos do Comando de Operações Especiais e do CDCiber incorporam parcialmente o vocabulário. Na Rússia, o equivalente funcional é a “guerra informacional-técnica” + “guerra informacional-psicológica”; na China, parte dos Three Warfares.

Ver Também

Referências

UNITED STATES. Joint Chiefs of Staff. Joint Publication 3-13: Information Operations. Washington, D.C., 27 nov. 2012 (incorporando emendas de 2014).

THEOHARY, Catherine A. Information Warfare: Issues for Congress. CRS Report R45142. Washington, D.C.: Congressional Research Service, 2018.

ARQUILLA, John; RONFELDT, David. The Emergence of Noopolitik: Toward an American Information Strategy. Santa Monica: RAND Corporation, 1999.


Verbete do Glossário NEGISC — Núcleo de Estudos em Guerra Informacional e Segurança Cognitiva / GEPSI / IREL / UnB. Licença CC BY-SA 4.0.