As operações de influência da República Popular da China no Indo-Pacífico constituem o caso empírico mais desenvolvido de aplicação contemporânea da guerra política chinesa em sua articulação doutrinária com as “Três Guerras” (sān zhàn), com a doutrina mais recente de “guerra cognitiva” (rènzhī zhànzhēng) e com o sistema institucional do Departamento de Trabalho da Frente Unida (UFWD) — articulando, em escalas distintas e com técnicas adaptadas a cada teatro, operações persistentes contra Taiwan, operações de sharp power no espaço político australiano, e ofensiva de influência no Pacífico Sul insular.


1. Definição e Escopo do Caso

As operações de influência chinesas no Indo-Pacífico devem ser analisadas como sistema articulado, e não como soma de eventos discretos. Tal articulação se dá em três níveis: (a) nível doutrinário, em que repertórios conceituais do Exército Popular de Libertação (Três Guerras — guerra de opinião pública, guerra psicológica, guerra jurídica), do Departamento de Propaganda do Partido Comunista Chinês (PCCh), do Departamento de Trabalho da Frente Unida e do sistema diplomático estatal são integrados em campanhas convergentes; (b) nível institucional, em que organismos do partido-Estado, mídia estatal internacional (CGTN, Xinhua, China Daily), proxies semioficiais e atores comerciais e diaspóricos operam em rede; e (c) nível operacional, em que técnicas específicas (operações em redes sociais, captura de elites, condicionamento econômico, manipulação algorítmica em plataformas chinesas com penetração global, operações cibernéticas) são adaptadas ao perfil de cada teatro (síntese a partir de Brady, 2017; Mattis e Brazil, 2019; Walker e Ludwig, 2017).

O conceito analítico de sharp power, formulado por Christopher Walker e Jessica Ludwig (2017) no contexto de pesquisa do National Endowment for Democracy, é particularmente relevante: distingue-se de soft power (atração persuasiva) por operar via penetração, manipulação e coerção, mantendo aparência de soft power. O caso chinês — particularmente em sociedades democráticas com ampla diáspora chinesa — é o exemplo canônico do conceito.

O escopo deste verbete cobre três teatros analiticamente distintos, ainda que conectados por matriz doutrinária comum: (1) Taiwan, onde operações cognitivas são persistentes e atingem maior densidade; (2) Austrália, onde se desenvolveu o caso paradigmático de sharp power em sociedade democrática avançada, e onde a resposta institucional gerou o arcabouço de transparência de influência estrangeira mais desenvolvido do mundo democrático; e (3) Ilhas do Pacífico, onde operações de influência articulam diplomacia econômica, disputa diplomática com Taiwan e operações mediáticas adaptadas ao contexto insular.


2. Contexto Histórico e Antecedentes

A genealogia institucional do dispositivo chinês de influência é longa e remonta às origens do PCCh. O Departamento de Trabalho da Frente Unida (UFWD, 中央统一战线工作部, zhōngyāng tǒngyī zhànxiàn gōngzuò bù), fundado em 1942, é a instituição central historicamente responsável por mobilização e cooptação de atores fora do partido, com escopo doméstico originalmente e crescente projeção externa a partir do final da era Mao. Sob Xi Jinping (a partir de 2012), o UFWD foi explicitamente elevado em hierarquia política e ampliado em escopo operacional, sendo descrito por Xi como “arma mágica” (法宝, fǎbǎo) do partido — expressão que dá título ao trabalho seminal de Anne-Marie Brady (2017) sobre o tema.

A doutrina das Três Guerras (三战, sān zhàn) foi formalmente adotada pela Comissão Militar Central e pelo Departamento Geral Político do EPL em 2003, articulando guerra de opinião pública (舆论战, yúlùn zhàn), guerra psicológica (心理战, xīnlǐ zhàn) e guerra jurídica/legal (法律战, fǎlǜ zhàn) como teatro permanente de competição estratégica abaixo do limiar do conflito armado. A doutrina é reformulada e expandida ao longo da década de 2010 e incorpora, particularmente a partir de 2014–2018, ênfase em “guerra cognitiva” (认知战, rènzhī zhàn) — termo que designa, em literatura doutrinária chinesa, operações dirigidas a modelar percepções, julgamentos e comportamentos de audiências adversárias. Ver verbete específico.

O contexto histórico de cada teatro é, por sua vez, distinto. Taiwan é objeto de operações continuadas desde 1949, com fases sucessivas adaptadas ao contexto político da ilha, à evolução da relação Estreito de Taiwan e às transformações tecnológicas. Austrália torna-se alvo de operações sistemáticas com a expansão dos investimentos chineses na década de 2000 e com a chegada de comunidade chinesa expandida na década seguinte. Ilhas do Pacífico entram no foco a partir da década de 2010, no contexto da disputa diplomática Taipei–Pequim e da iniciativa “Belt and Road” (一带一路, Yīdài yīlù, 2013).


3. Cronologia e Operações Documentadas

3.1 Taiwan: operações persistentes

Taiwan é o teatro de operações de influência chinesas mais intenso, persistente e analiticamente documentado do Indo-Pacífico. Relatórios anuais do Ministry of Justice Investigation Bureau (MJIB) taiwanês, do National Security Bureau e da sociedade civil (Doublethink Lab, IORG — Information Operations Research Group, Taiwan FactCheck Center) documentam volume continuado de operações.

Ciclos eleitorais. Eleições presidenciais e legislativas taiwanesas — particularmente 2018 (eleições locais), 2020 (Tsai Ing-wen reeleita com 57,1% dos votos), 2022 (eleições locais), 2024 (William Lai eleito com 40,1% dos votos em disputa tripolar) — foram objeto de operações documentadas que articularam difusão de desinformação em plataformas chinesas com alcance em Taiwan (notadamente TikTok/Douyin, Weibo em comunidades diaspóricas, LINE — aplicativo dominante em Taiwan), campanhas em Facebook e YouTube com origem rastreável à China continental ou a operadores comerciais contratados, e operações de inautenticidade coordenada removidas em ações trimestrais por Meta, Google e Twitter/X (documentado em relatórios trimestrais “Adversarial Threat Report” da Meta, 2019–2024; relatórios do MJIB, 2020–2023).

Episódios documentados de deepfakes. Em 2023–2024, no contexto da campanha eleitoral presidencial taiwanesa, circularam artefatos de áudio e vídeo sintéticos atribuídos a candidatos e a figuras políticas — incluindo deepfake atribuído ao então candidato William Lai e materiais sintéticos envolvendo a então presidente Tsai Ing-wen. Os artefatos foram identificados e desmascarados por organizações de checagem locais e pelo Doublethink Lab. (corpus documentado por Doublethink Lab e Taiwan FactCheck Center, 2023–2024).

Operações narrativas estruturais. Para além de eventos pontuais, as operações chinesas em Taiwan articulam linhas narrativas estruturais persistentes: (a) inevitabilidade da “reunificação” e custos do “separatismo”; (b) erosão da confiança nos EUA como aliado de Taiwan (narrativas de “abandonment” — “skeptic America” — particularmente intensificadas após a retirada do Afeganistão em agosto de 2021); (c) celebração do modelo de desenvolvimento da China continental versus narrativas de declínio taiwanês; (d) instrumentalização de clivagens internas (geracionais, de identidade nacional, partidárias).

3.2 Austrália: o caso paradigmático de sharp power

A Austrália emerge, no período 2014–2018, como caso paradigmático de operações chinesas de influência em democracia liberal avançada, e como caso de resposta institucional sistemática.

Caso Sam Dastyari (2016–2017). Sam Dastyari, então senador trabalhista, é objeto de revelações jornalísticas (em particular da ABC e do Sydney Morning Herald) que documentam pagamentos a ele realizados por empresários australianos de origem chinesa com vínculos ao Partido Comunista Chinês — notadamente Huang Xiangmo — e declarações públicas do senador alinhadas a posições chinesas sobre o Mar do Sul da China em contradição com a linha oficial do Partido Trabalhista Australiano. Dastyari renunciou ao Senado em janeiro de 2018 (sequência amplamente documentada por imprensa australiana).

Investigações do ASIO. A Australian Security Intelligence Organisation (ASIO), em depoimentos públicos a comissões parlamentares e em relatórios não classificados, identificou, ao longo de 2017–2020, operações de influência ligadas ao UFWD em meios políticos, acadêmicos e comunitários australianos. O caso Huang Xiangmo — empresário australiano-chinês cuja residência permanente foi cancelada em 2019 com base em avaliação do ASIO sobre vínculos com órgãos de influência do PCCh — é referência paradigmática (comunicações oficiais do Departamento do Interior, 2019).

Resposta institucional. A Austrália aprovou, em 2018, conjunto de legislação que configura o arcabouço mais desenvolvido do mundo democrático para enfrentamento de operações de influência estrangeira: Foreign Influence Transparency Scheme Act 2018 (Lei do Esquema de Transparência de Influência Estrangeira), National Security Legislation Amendment (Espionage and Foreign Interference) Act 2018, e legislação correlata. O esquema obriga registro público de pessoas e entidades que atuem em nome de “principais estrangeiros” em atividades de comunicação, lobby ou disbursement (legislação federal australiana, 2018; análise em PJCIS, 2018).

Universidades e pesquisa. A presença do PCCh em universidades australianas — via Confucius Institutes (em processo de progressiva descontinuação a partir de 2020 em diversas instituições), via associações de estudantes chineses no exterior (CSSA — Chinese Students and Scholars Associations) e via cooperação em pesquisa com instituições chinesas com vínculos militares — foi objeto de inquérito parlamentar e de produção acadêmica densa (ASPI — Australian Strategic Policy Institute).

3.3 Ilhas do Pacífico

O teatro insular do Pacífico configura caso distinto, em que operações de influência articulam-se à disputa diplomática direta entre Pequim e Taipei, à projeção econômica via Belt and Road, e ao desenvolvimento de capacidade mediática regional.

Disputa diplomática. Entre 2019 e 2024, Kiribati, Ilhas Salomão e Nauru (esta última em 2024) transferiram reconhecimento diplomático de Taipei para Pequim, com Honiara (Ilhas Salomão) assinando, em abril de 2022, acordo de segurança bilateral com a China cujos termos foram parcialmente publicados e geraram preocupação significativa em Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos (corpus diplomático público; cobertura sistemática do Lowy Institute e Pacific Islands Forum).

Operações mediáticas. O China Media Project (sediado na Universidade de Hong Kong até 2022) e relatórios do ASPI e do Lowy Institute documentam o papel de CGTN, Xinhua e de parcerias de conteúdo com mídias locais como mecanismo de modelagem narrativa em pequenos Estados insulares cuja infraestrutura mediática é estruturalmente vulnerável a fornecimento externo de conteúdo (SAMPAIO, 2022).

Operações em redes sociais. Documentadas em escala menor que em Taiwan ou Austrália, dado o tamanho das populações-alvo, mas analiticamente relevantes em janelas eleitorais e em momentos de tensão diplomática (notadamente em torno do acordo de segurança das Ilhas Salomão em 2022) (corpus de removidos por Meta em “Adversarial Threat Reports” trimestrais).


4. Técnicas e Capacidades Empregadas

As operações chinesas no Indo-Pacífico mobilizam repertório de técnicas analisável em cinco famílias.

(1) Frente Unida e captura de elites. Cooptação de quadros políticos, empresariais, acadêmicos e comunitários — particularmente em comunidades chinesas diaspóricas — via incentivos econômicos, acesso a redes de prestígio, viagens patrocinadas e estruturação de dependências comerciais. Operações de longa duração, baixo perfil e alta densidade institucional.

(2) Operações em plataformas sociais e mídia estatal global. Articulação entre plataformas chinesas com penetração global (TikTok/Douyin, WeChat) e operações em plataformas ocidentais (Facebook, X/Twitter, YouTube) via redes coordenadas — documentadas em remoções trimestrais. CGTN, Xinhua e China Daily operam como vetores de difusão narrativa e de pressão sobre veículos locais.

(3) Desinformação e operações cognitivas em janelas eleitorais. Particularmente em Taiwan, com incremento documentado em 2018, 2020, 2022 e 2024.

(4) Deepfakes e mídia sintética. Uso operacional documentado em escala crescente a partir de 2023, particularmente em janelas eleitorais taiwanesas.

(5) Convergência ciber-informacional. Atribuição pública a grupos APT chineses (APT41, APT31, Volt Typhoon, Salt Typhoon) por governos dos EUA, Reino Unido, Austrália e União Europeia em operações que combinam coleta de inteligência, prepositioning em infraestrutura crítica e operações narrativas correlatas (declarações oficiais conjuntas dos Five Eyes, 2023–2024).


5. Atribuição e Evidências

A atribuição no caso chinês opera em condições particulares: o sistema partido-Estado dispõe de capacidade de operação coordenada que combina órgãos estatais, partidários, comerciais e diaspóricos de forma cuja desambiguação é estruturalmente difícil. Esta característica é simultaneamente uma vantagem operacional para Pequim e um desafio analítico para o campo.

Atribuições governamentais. Os Five Eyes (EUA, Reino Unido, Canadá, Austrália, Nova Zelândia) produziram, particularmente a partir de 2017–2018, atribuições convergentes sobre operações de influência ligadas ao UFWD e a operações cibernéticas atribuídas a serviços chineses. O Annual Threat Assessment da Office of the Director of National Intelligence (ODNI) estadunidense documenta sistematicamente, em sucessivas edições anuais, capacidades chinesas de operações de influência e ciber. Taiwan produz, via MJIB e National Security Bureau, atribuições específicas com cadeia de evidência publicizada. Austrália, via ASIO e Departamento do Interior, individualizou operações e operadores em casos específicos.

Atribuições corporativas. Meta, Google, Microsoft e — em escala menor — outras plataformas publicam relatórios trimestrais ou semestrais com identificação de operações removidas e atribuição (com graus variáveis de granularidade) a ecossistemas operacionais com origem na China.

Atribuições da sociedade civil e academia. ASPI (Austrália), Doublethink Lab (Taiwan), IORG (Taiwan), Stanford Internet Observatory (EUA), DFRLab/Atlantic Council, e produção acadêmica brasileira e internacional (Brady, Mattis, Brazil, entre outros) produziram corpus extensivo de atribuições com metodologia OSINT e analítica.

Limites da atribuição. Permanecem objeto de debate analítico: a precisão da cadeia institucional em operações específicas (qual unidade do UFWD, do PLA Strategic Support Force, do Ministério da Segurança do Estado responde por que operação); o grau de coordenação central versus iniciativa local em campanhas em redes sociais; a quantificação de efeitos sobre comportamento eleitoral e atitudinal em sociedades-alvo; e a relação entre operações comerciais de empresas chinesas com presença global (notadamente TikTok/Douyin/ByteDance) e operações estatais — relação cuja natureza é objeto de debate técnico e regulatório em curso (caso da legislação estadunidense PAFACA de 2024). Para análise crítica, ver verbete específico.


6. Implicações para o Contexto Brasileiro

O caso chinês no Indo-Pacífico tem para o Brasil quatro implicações estruturais que demandam atenção empírica e analítica no campo dos estudos de guerra informacional.

Primeiro, a ausência de arcabouço brasileiro de transparência de influência estrangeira. Diferentemente da Austrália (Foreign Influence Transparency Scheme), dos Estados Unidos (FARA — Foreign Agents Registration Act, de 1938) e do Reino Unido (Foreign Influence Registration Scheme, 2024), o Brasil não dispõe de marco legal específico que obrigue registro público de atividades de influência conduzidas em nome de principais estrangeiros. Esta lacuna é particularmente relevante dada a magnitude da relação Brasil-China e o crescimento de investimentos chineses em infraestrutura crítica (energia, telecomunicações, mineração). Mapeamento sistemático dessa exposição é agenda de pesquisa relevante para o NEGISC.

Segundo, a presença chinesa em infraestrutura crítica brasileira. A presença de Huawei e de outras empresas chinesas em infraestrutura de telecomunicações brasileira, particularmente nas redes 4G e em segmentos da implantação 5G, configura objeto de análise estratégica que articula segurança cibernética, soberania informacional e geopolítica. A análise técnica deste objeto demanda metodologia distinta da análise de operações de influência em sentido estrito, mas integra o mesmo quadro analítico sistêmico.

Terceiro, a comunidade chinesa no Brasil. A comunidade chinesa brasileira — estimada em algumas centenas de milhares de pessoas, com presença significativa em São Paulo, no Rio de Janeiro e em outros centros — é parte integrante do tecido social brasileiro e, simultaneamente, audiência potencial de operações da Frente Unida. A análise rigorosa do tema exige discriminação cuidadosa entre vida comunitária legítima e operações de captura ou cooptação, evitando estigmatização generalizada — discriminação que, no caso australiano, foi por vezes deficitária e gerou efeitos sociais adversos.

Quarto, a posição brasileira no debate global sobre o tema. A posição diplomática brasileira de não-alinhamento ativo, articulada à participação em foros multilaterais (BRICS, ONU), oferece simultaneamente fator de proteção (menor exposição a operações dirigidas a coalizões antichinesas) e fator de vulnerabilidade (menor incentivo a investimento em capacidades de monitoramento e contraposição). O NEGISC tem posição privilegiada para produzir análise tecnicamente rigorosa e politicamente equilibrada sobre o tema, em registro acadêmico que evite tanto a securitização indiscriminada quanto a negação ingênua das operações documentadas.


7. Ver Também


8. Referências

AUSTRALIA. Parliamentary Joint Committee on Intelligence and Security (PJCIS). Advisory Report on the Foreign Influence Transparency Scheme Bill 2017. Canberra: Parliament of Australia, 2018.

BRADY, Anne-Marie. Magic Weapons: China’s Political Influence Activities under Xi Jinping. Washington: Wilson Center, 2017.

MATTIS, Peter; BRAZIL, Matthew. Chinese Communist Espionage: An Intelligence Primer. Annapolis: Naval Institute Press, 2019.

SAMPAIO, Anna. China’s influence operations in the Pacific Islands. The Interpreter, Lowy Institute, 2022.

TAIWAN. Ministry of Justice Investigation Bureau (MJIB). 2022 Report on Chinese Cognitive Warfare Operations against Taiwan. Taipei: MJIB, 2022.

UNITED STATES. Office of the Director of National Intelligence (ODNI). Annual Threat Assessment of the US Intelligence Community 2023. Washington: ODNI, 2023.

WALKER, Christopher; LUDWIG, Jessica. The meaning of sharp power. Foreign Affairs, Nova York, v. 96, n. 6, p. 8-25, nov./dez. 2017.


Verbete submetido ao NEGISC — Núcleo de Estudos em Guerra Informacional e Segurança Cognitiva / GEPSI / IREL / UnB. Licença CC BY-SA 4.0.