Conta automatizada em plataforma digital cuja operação é controlada total ou parcialmente por software, em vez de por interação humana direta em tempo real, com finalidades que variam de automação legítima a amplificação inautêntica em campanhas de manipulação informacional.
Definição
O termo bot (abreviação de robot) designa, no contexto das mídias sociais, uma conta cuja atividade é executada por scripts ou agentes de software. O uso analítico exige distinguir três categorias frequentemente confundidas:
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Bots de automação legítima — contas declaradas e funcionais (avisos meteorológicos, agregadores de notícias, alertas de segurança pública). Operam dentro dos termos de serviço da plataforma e não dissimulam sua natureza.
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Social bots de amplificação — contas que se passam por usuários humanos para inflar artificialmente métricas de engajamento (curtidas, retweets, seguidores), criando ilusão de consenso ou popularidade. Constituem violação de termos de serviço e operam frequentemente em botnets sob controle único.
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Bots políticos / de campanha — subcategoria dos anteriores, mobilizados como componente de campanhas coordenadas de inautenticidade coordenada (CIB) e propaganda computacional. Atuam em ondas sincronizadas para reforçar narrativas, atacar adversários ou silenciar dissidentes via brigading.
Não confundir com chatbots de IA (como assistentes conversacionais baseados em LLMs): estes são interfaces de diálogo, não contas de mídia social. A confusão terminológica entre “bot” social e “chatbot” gera diagnósticos públicos imprecisos, especialmente em períodos eleitorais.
A detecção de bots é probabilística — ferramentas como Botometer (Indiana University) atribuem escores de likelihood, não classificações binárias — e enfrenta hoje o desafio dos cyborgs (contas híbridas humano-máquina) e dos bots alimentados por LLMs, indistinguíveis em texto curto.
Uso e Contexto
O termo foi popularizado na literatura acadêmica a partir do trabalho de Ferrara et al. (2016) no Communications of the ACM e dos relatórios do Computational Propaganda Project (Oxford Internet Institute) liderados por Philip Howard e Samuel Woolley. No Brasil, ganhou centralidade no debate público durante as eleições de 2014, 2018 e 2022, com investigações do TSE, do CGI.br e de organizações como o NetLab/UFRJ. A regulação brasileira ainda é incipiente: a Resolução TSE nº 23.610/2019 trata da disseminação de desinformação, mas não regula automação per se.
Ver Também
- Bot (verbete completo)
- CIB
- Desinformação
- Microtargeting Político
- Propaganda Computacional
- Inautenticidade Coordenada (CIB)
Referências
FERRARA, Emilio; VAROL, Onur; DAVIS, Clayton; MENCZER, Filippo; FLAMMINI, Alessandro. The rise of social bots. Communications of the ACM, v. 59, n. 7, p. 96–104, 2016.
WOOLLEY, Samuel; HOWARD, Philip N. (Org.). Computational Propaganda: Political Parties, Politicians, and Political Manipulation on Social Media. Oxford: Oxford University Press, 2018.
VAROL, Onur; FERRARA, Emilio; DAVIS, Clayton; MENCZER, Filippo; FLAMMINI, Alessandro. Online human-bot interactions: detection, estimation, and characterization. Proceedings of the ICWSM, v. 11, n. 1, p. 280–289, 2017.
Verbete do Glossário NEGISC — Núcleo de Estudos em Guerra Informacional e Segurança Cognitiva / GEPSI / IREL / UnB. Licença CC BY-SA 4.0.