Comportamento coordenado em plataformas digitais que emprega meios inautênticos — contas falsas, personagens fabricadas, ocultação de patrocínio — para manipular o debate público, independentemente da veracidade do conteúdo veiculado.
Definição
CIB é o acrônimo de Coordinated Inauthentic Behavior (Comportamento Inautêntico Coordenado), termo doutrinário formalizado pelo Meta (então Facebook) em 2018 para descrever a categoria operacional sob a qual a empresa passou a remover redes de manipulação informacional de suas plataformas. A definição de trabalho do Meta articula dois critérios cumulativos:
- Coordenação — múltiplas contas, páginas ou ativos operando em conjunto sob comando único;
- Inautenticidade — ocultação deliberada da identidade real dos operadores, do patrocínio da operação ou da origem geográfica das contas (uso de personagens fabricados, deepfake personas, redirecionamento de IPs, etc.).
A distinção analítica crucial do conceito é o deslocamento do foco do conteúdo para o ator: o CIB pode veicular conteúdo verdadeiro, opinativo ou misto — o que o torna problemático não é a falsidade do que é dito, mas a falsidade de quem o diz e da coordenação encoberta. Isso o diferencia de:
- Desinformação — definida pelo conteúdo falso, independentemente do ator;
- Propaganda — pode ser inteiramente autêntica e declarada;
- Astroturfing — categoria mais ampla, da qual o CIB é a manifestação digital plataformizada.
A partir de 2020, o Meta passou a distinguir entre CIB doméstico (operadores nacionais visando o próprio público) e operações de influência estrangeira (FIO, Foreign Influence Operations), com critérios probatórios e respostas operacionais distintas para cada categoria.
Uso e Contexto
O termo CIB tornou-se padrão de facto no léxico das plataformas (adotado também por Twitter/X, Google, TikTok com variações) e na pesquisa acadêmica de operações de influência, mesmo entre pesquisadores críticos da sua origem corporativa. Os Coordinated Inauthentic Behavior Reports do Meta (2018–2024) constituem a maior base de dados pública sobre o fenômeno, complementada pelos relatórios do Stanford Internet Observatory, DFRLab e Graphika. No Brasil, redes CIB foram removidas em vínculo com o “Gabinete do Ódio” (2020), a campanha presidencial de 2022 e operações de interferência estrangeira documentadas pelo TSE.
Ver Também
Referências
GLEICHER, Nathaniel. Coordinated Inauthentic Behavior Explained. Facebook Newsroom, 6 dez. 2018.
DIRESTA, Renée et al. The Tactics & Tropes of the Internet Research Agency. Austin: New Knowledge / U.S. Senate Select Committee on Intelligence, 2018.
FRANÇOIS, Camille. Actors, Behaviors, Content: A Disinformation ABC. Transatlantic High Level Working Group on Content Moderation Online and Freedom of Expression, 2020.
Verbete do Glossário NEGISC — Núcleo de Estudos em Guerra Informacional e Segurança Cognitiva / GEPSI / IREL / UnB. Licença CC BY-SA 4.0.