Operações Psicológicas
O eixo mais antigo da doutrina brasileira sobre informação como instrumento de poder. Reúne o manual que codifica a atividade no Exército, a produção das escolas de comando (EGN, ECEME, EsAO, AMAN) e a literatura que examina o emprego real em missões de paz, sobretudo no Haiti.
20 títulos. Um manual, treze teses, dissertações e monografias (doze de escolas militares, uma de pós-graduação universitária), quatro artigos e dois textos de origem não acadêmica.
Os arquivos não são publicados neste site. Cada entrada identifica a instituição, o ano e a paginação para que a versão oficial possa ser localizada na fonte. A cópia de estudo permanece no acervo interno do núcleo.
Doutrina
Manual de Campanha C 45-4 — Operações Psicológicas. BRASIL. Exército. Estado-Maior do Exército. Manual de campanha C 45-4: operações psicológicas. 3. ed. Brasília: EME, 1999. 199 p. Aprovado pela Portaria nº 070-EME, de 26 de agosto de 1999.
O documento que institui a atividade no Exército e fixa seu vocabulário: define operações psicológicas, distingue-as da propaganda e da ação de comunicação social, e organiza os meios de emprego. É a fonte primária para qualquer estudo da doutrina brasileira anterior à chegada do vocabulário cognitivo. Não há versão oficial em linha localizada; o exemplar do acervo é a 3ª edição.
Teses, dissertações e monografias
A interface da opinião pública com as operações psicológicas — QUINTELLA, Roberto Medeiros. A interface da opinião pública com as operações psicológicas no início do século XXI. Monografia (Curso de Política e Estratégia Marítimas) — Escola de Guerra Naval, Rio de Janeiro, 2015. 99 p.
Reconstrói a formação da opinião pública e a relaciona com o pensamento pós-moderno para situar o alvo das operações psicológicas no século XXI. Referência para o elo entre mídia, opinião e atividade militar.
Das operações psicológicas à guerra do ciberespaço — QUINTELLA, Roberto Medeiros. Das operações psicológicas à guerra do ciberespaço: a importância de conquistar corações e mentes. Monografia (Curso de Estado-Maior para Oficiais Superiores) — Escola de Guerra Naval, Rio de Janeiro, 2008. 27 p.
Primeiro trabalho do mesmo autor sobre a passagem da atividade clássica ao ambiente digital. Interessa pela data: antecipa em mais de uma década a discussão que só chegaria ao vocabulário cognitivo depois de 2020.
O emprego das operações psicológicas pelo contingente brasileiro na MINUSTAH — GÓES, Alexandre da Silva. O emprego das operações psicológicas pelo contingente brasileiro na MINUSTAH: uma análise sob a ótica do conflito no Afeganistão pós-11 de setembro. Dissertação (Curso de Estado-Maior para Oficiais Superiores) — Escola de Guerra Naval, Rio de Janeiro, 2018. 50 p.
Descreve o emprego no Haiti e o compara com o caso afegão. Conclusão registrada pelo autor: a experiência brasileira foi limitada diante do padrão de emprego observado no Afeganistão.
Operações psicológicas: necessidade de desenvolvimento na Marinha — DELMAS, Fábio Montenegro. Operações psicológicas: necessidade de desenvolvimento dessa capacidade no nível operacional na Marinha do Brasil. Monografia (Curso de Política e Estratégia Marítimas) — Escola de Guerra Naval, Rio de Janeiro, 2018. 95 p.
Diagnóstico institucional: argumenta que a Marinha carece de estrutura própria para a atividade, enquanto forças de países da OTAN a empregam amplamente. É a base do projeto seguinte.
Operações psicológicas: uma estrutura inicial para a Marinha do Brasil — ESCOLA DE GUERRA NAVAL. Operações psicológicas: uma estrutura inicial para a Marinha do Brasil. Projeto de pesquisa (Curso de Política e Estratégia Marítimas) — EGN, Rio de Janeiro, 2019. 63 p.
Projeto coletivo do C-PEM 2019 que desenha a estrutura ausente diagnosticada em Delmas (2018). A capa não identifica autoria individual.
A integração das capacidades de informação, comunicação social e operações psicológicas — LISBÔA, Caio de Vargas. A integração das capacidades relacionadas à informação que atuam sobre o público, comunicação social e operações psicológicas, desde o tempo de paz. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Ciências Militares) — Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, Rio de Janeiro, 2020. 60 p.
Discute a coordenação entre as capacidades que atuam sobre públicos, à luz do conceito de comunicação estratégica. Interessa ao debate sobre comando e controle da atividade.
Operações psicológicas: a evolução no Exército Brasileiro — SILVEIRA, Fábio Martins da. Operações psicológicas: a evolução das operações psicológicas no Exército Brasileiro. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Ciências Militares) — ECEME, Rio de Janeiro, 2021. 33 p.
Reconstituição histórica da atividade no Exército, da origem à institucionalização. É a peça mais direta para a genealogia doutrinária brasileira.
As operações psicológicas contra as forças adversas — LIMA, Luiz Gustavo Tavares de. As operações psicológicas contra as forças adversas: o emprego sistemático nas operações de apoio aos órgãos governamentais. Trabalho acadêmico (Especialização em Ciências Militares) — Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, Rio de Janeiro, 2017. 31 p.
Argumenta que a especialidade é recente no Exército e ainda pouco compreendida, e propõe emprego sistemático nas operações de apoio a órgãos governamentais. Diagnóstico interno relevante.
Operações psicológicas no apoio à tropa — VALE, Vinícius Martins do. Operações psicológicas no apoio à tropa: fatores de influência no moral das frações combatentes nas operações de apoio aos órgãos governamentais. Trabalho acadêmico (Especialização em Ciências Militares) — EsAO, Rio de Janeiro, 2017. 25 p.
Desloca o foco do adversário para a própria tropa: quais fatores afetam o moral das frações. Útil para a distinção entre emprego ofensivo e defensivo.
O emprego de instrumentos de operações psicológicas na Operação São Francisco — MESSIAS, Felipe Antocheviz. O emprego de instrumentos de operações psicológicas na Operação São Francisco. Monografia (Bacharelado em Ciências Militares) — Academia Militar das Agulhas Negras, Resende, 2019. 40 p.
Estudo de caso da força de pacificação no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, ao longo de catorze meses. Documenta o emprego doméstico da atividade, tema pouco explorado na literatura.
O emprego das operações psicológicas como instrumento motivador — PONTES, Fausto Augusto de Sousa. O emprego das operações psicológicas como instrumento motivador para os destacamentos de ações de comandos do Exército Brasileiro. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Gestão em Administração Pública) — EsFCEx/UNIASSELVI, Salvador, 2021. 15 p.
Pesquisa exploratória com questionários a especialistas e entrevista, sobre o uso da atividade para motivar tropas de operações especiais.
Guerra e persuasão — KÜHN, Adriana. Guerra e persuasão: estudo de caso da operação psicológica do Exército brasileiro no Haiti. Dissertação (Mestrado em Comunicação Social) — Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006. 112 p.
A única dissertação de mestrado do acervo, e o trabalho mais antigo deste eixo. Analisa a comunicação do primeiro contingente da Brigada de Força de Paz sob a chave da persuasão, e não da doutrina militar.
A atividade de inteligência e as operações psicológicas no BRABAT — SEABRA, Marcelo Canizares Schettini; SILVA JUNIOR, Wanderli Baptista da. A atividade de inteligência e as operações psicológicas em prol do Batalhão de Infantaria de Força de Paz (BRABAT) na MINUSTAH. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialista em Altos Estudos em Defesa) — Escola Superior de Defesa, Brasília, 2021. 29 p.
Trata da integração entre inteligência e operações psicológicas como condição de interoperabilidade entre células. Único trabalho do conjunto produzido na Escola Superior de Defesa.
Artigos
O papel das operações psicológicas e da ação da mídia — SILVA, Roberto Figueiredo Cavalcanti da. O papel das operações psicológicas e da ação da mídia nas operações militares. Trabalho do Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia — Escola Superior de Guerra, Rio de Janeiro, 2007. 18 p.
Sustenta que a mídia opera como vetor de manipulação psicológica contínua, ao saturar a capacidade de julgamento do público. Formulação inicial do que hoje se chama sobrecarga atencional.
Operações psicológicas: abordagem semiótica — HIPPÓLYTO JALES, Fernando Lyra; CELESTINO, Luciana Carlos. Operações psicológicas: abordagem semiótica da comunicação na guerra moderna. In: XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom), Natal, 2008. 5 p.
Lê a atividade pelo aparato da semiótica, tratando-a como conjunto de ações comunicacionais. Deslocamento disciplinar raro no conjunto, dominado por abordagens militares.
A ética das operações psicológicas — OLIVEIRA, Clynson Silva de. A ética das operações psicológicas. Military Review (edição brasileira), Fort Leavenworth, jan./fev. 2014, p. 12-19. Disponível em: armyupress.army.mil.
Discute os limites morais da atividade a partir de sua história. Publicado na edição brasileira da Military Review, é o único texto do eixo dedicado exclusivamente à ética.
Operações psicológicas: a necessidade de integração — ALBUQUERQUE, Fábio Ivar Cavalcante de. Operações psicológicas: a necessidade de integração com as demais capacidades relacionadas à informação. Artigo, 10 p.
Defende a integração da atividade às demais capacidades de informação, na perspectiva de um coronel do Comando de Operações Terrestres. A publicação original não foi localizada em busca pública; a referência completa permanece pendente.
Textos de origem não acadêmica
A guerra pela mente do público — RODRÍGUEZ, Nuño. A guerra pela mente do público: considerações sobre a natureza da guerra psicológica. Revista Profissional da Força Aérea dos EUA, 2020, p. 90. Disponível em: airuniversity.af.edu.
Panorama histórico da guerra psicológica escrito por analista político, na edição em português do periódico da Força Aérea dos Estados Unidos. Serve como fonte de época e de vocabulário, não como evidência.
Operações psicológicas e a manipulação das massas — TEICHRIB, Carl. As operações psicológicas e a manipulação das massas: um guia básico sobre a propaganda global. Tradução de artigo publicado em Forcing Change, v. 1, n. 2. 8 p.
Texto de divulgação de orientação confessional, que trata a atividade como conspiração global. Catalogado por completude e como exemplo de recepção pública do tema; não é fonte doutrinária.